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A MEDIAÇÃO DOS SANTOS
Nosso Senhor nos manda "Orar uns pelos
outros" (MT 5, 44). S. Tiago nos ordena de "orar uns pelos
outros" (Tgo. 5, 16). S. Paulo diz que "ora pelos
colossenses" (Col. 1, 3).
No evangelho de S. Mateus (22, 30), Jesus Cristo
ensina que os "santos são como os anjos de Deus no céu".
Zacarias diz: "que o anjo intercedeu por Jerusalém ao Senhor dos
exércitos" (1, 12 -13).
Os justos, os santos e os anjos do Céu se interessam
pelos homens, intercedem pelos homens, e devem ser invocados e louvados.
O arcanjo Rafael diz a Tobias: "Quando
rezavas com lágrimas, e sepultavas os mortos, eu oferecia tua oração
a Deus" (Tob. 7, 12) (Os protestantes tiraram esse livro).
S. Paulo, na mesma carta em que declara Jesus como único
mediador entre Deus e os homens, indica também mediadores 'secundários'
(I Tm 2, 1-5): "Recomenda que façam preces, orações, súplicas e
ações de graças por todos os homens..." Pois, fazer orações
por outros, é de fato, ser intercessor e mediador entre Deus e os
outros.
A própria Bíblia aplica o título de mediador
também a Moisés (Dt 5, 5): "Eu fui naquele tempo intérprete e
mediador entre o Senhor e vós".
Quando a Sagrada Escritura diz que Nosso Senhor
é o único caminho entre os homens e Deus, não quer dizer que entre os
homens e Nosso Senhor não possa haver intercessores. É claro, só
Nosso Senhor é o intercessor entre nós e Deus Pai, mas não significa
que entre nós e Ele não existam pessoas que O conheceram, amaram e
serviram de forma exemplar.
É por isso que a doutrina católica chama Nossa
Senhora de "Mediatrix ad Christum mediatorem", isto é,
"Medianeira junto a Cristo mediador". Deste modo, Cristo fica
como único mediador entre Deus e os homens; e a Virgem Maria fica uma
"medianeira junto a Cristo".
O poder de interceder está expresso em diversas
passagens das Sagradas Escrituras, como nas Bodas de Caná, onde Nosso
Senhor não queria fazer o milagre, pois "ainda não havia chegado
Sua hora" e "o que temos nós a ver com isso (com a falta de
vinho)?". Bastou Nossa Senhora pedir para que seu Filho fizesse o
milagre, que Ele adiantou sua hora para atender à intercessão de sua Mãe
Santíssima. Que tamanho poder de intercessão têm Nossa Senhora! Fazer
com que Deus, por assim dizer, mudasse seus planos? É tal o poder de
Nossa Senhora que a doutrina católica a chama de onipotência
suplicante, ou seja, Aquela que tem, por meio da súplica a seu Filho, o
poder onipotente!
Existem diversas passagens da Sagrada Escritura
em que Deus só atende por meio da intercessão dos santos, como no caso
de Jó (já visto), em que Deus expressamente mandou que o fiel pedisse
através de seu servo Jó. Ou mesmo o caso do discípulo de Santo Elias,
que só fazia milagres quando pedia através do Deus de Elias.
Ora, é natural que Deus atenda àqueles que estão
mais perto dele do que àqueles que estão mais distantes. Quanto maior
a virtude de uma pessoa, tanto mais perto de Deus ela está e tanto mais
pode interceder por nós.
Portanto, fica comprovado que é útil a intercessão
dos santos junto à Nosso Senhor Jesus Cristo, único mediador entre os
homens e Deus-Pai.
AS RELÍQUIAS DOS SANTOS E O
INCENSO
Era comum, já nas catacumbas, a reprodução de
imagens e a guarda das relíquias dos santos. Qualquer um que visitar
Roma verá as catacumbas com pinturas, inclusive da Mãe de Deus. S.
Lucas, um dos evangelistas, pintou imagens de Nossa Senhora (fala-se em
três pinturas). Uma das quais está exposta à veneração dos fiéis
na igreja de Loreto, Itália.
O incenso era utilizado como ritual desde o
Antigo Testamento. Os capítulos 25 a 31 do Êxodo são a enumeração
de todos os objetos que Deus manda fazer e reservar para o seu culto.
E não somente Deus manda separar estes objetos,
mas exige que sejam "consagrados, bentos ou ungidos" com uma
unção especial.
Ele mesmo manda fazer o azeite da santa unção
e diz: "E com ele ungirás a tenda da reunião e a arca do
testamento, e a mesa com todos os seus vasos, o altar do incenso e a pia
com a sua base" (Ex 30, 26-30)
Eis a origem da benção dos objetos e das
pessoas consagradas a Deus. E na categoria de objetos entram as imagens,
as estátuas, que são objetos de culto, enquanto nos lembram as
virtudes dos santos que representam.
Sobre relíquias, devemos explicar o seu
significado.
Relíquia é aquilo que resta dos corpos dos
santos, ou os objetos que estiveram em contato com Cristo ou com os
santos. As relíquias são veneráveis porque os corpos dos santos foram
templos e instrumentos do Espírito Santo e ressuscitarão um dia na glória
(Conc. de Tr. 25).
O culto das relíquias é inato no homem:
gostamos de conservar como recordação os objetos que pertenceram aos
homens ilustres, as armaduras dos grandes guerreiros, por exemplo. O
mesmo Deus honra as relíquias, porque se serve delas para operar
milagres. Muitos corpos de santos permanecem incorruptos, exalando bom
odor etc.
Já os hebreus conservavam religiosamente as relíquias:
Moisés levou do Egito o corpo de José (Ex. 13, 19); os cristãos
imitaram-lhe o exemplo. Santo Inácio de Antioquia foi lançado no
anfiteatro de Roma às feras, que lhe não deixaram senão ossos; os
seus discípulos procuraram-nos de noite e levaram-nos para Antioquia
(no ano 107). O mesmo se fez a S. Policarpo, bispo de Esmirna (166),
queimado vivo; os seus restos foram considerados jóias preciosas. Os túmulos
dos mártires foram, desde a mais alta antigüidade, os sítios onde se
construíram Igrejas e altares para aí celebrar o Santo Sacrifício.
Muitas relíquias se guardam em relicários de prata, como a Cruz de
Cristo ("lignum crucis") e o presépio de Belém.
Santo Agostinho conta uma multidão de curas e a
ressurreição de duas crianças obtidas na África do Norte pelas relíquias
de S. Estevão. Já no Antigo Testamento vemos um morto ressuscitar ao
contato dos ossos do profeta Eliseu (4 Reis, 13, 21).
Nada de estranho há nisso, pois ao simples
tocar da veste do Messias, quantos não foram curados (Mt 9, 22)? A
simples passagem da sombra de S. Pedro curava doentes (At 5, 15), ou os
lenços e aventais de S. Paulo (At 19, 12). É evidente que o milagre não
é produzido materialmente pelas relíquias, mas pela vontade de Deus. Não
há, pois, superstição alguma nas peregrinações do povo cristãos a
certos lugares em que Deus obra milagres pelas relíquias ou imagens dos
santos (S. Agostinho).
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